O que é a injeção intravítrea anti-VEGF?
A injeção intravítrea anti-VEGF é um dos tratamentos mais importantes da oftalmologia moderna para doenças que afetam a retina. O procedimento consiste na aplicação de um medicamento diretamente dentro do olho (no vítreo) para bloquear o VEGF — fator de crescimento vascular endotelial —, uma proteína que estimula o crescimento anormal de vasos sanguíneos frágeis e permeáveis.
Esses vasos anormais são responsáveis por vazamentos, hemorragias e edemas que destroem progressivamente as células da retina, levando à perda de visão central. Ao bloquear o VEGF, o medicamento interrompe esse processo e, em muitos casos, permite a recuperação parcial ou total da visão.
Para quais doenças é indicada?
A injeção anti-VEGF é o tratamento de primeira linha para diversas condições graves da retina:
- Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) úmida — principal causa de cegueira em maiores de 50 anos no mundo ocidental
- Retinopatia Diabética Proliferativa — complicação do diabetes que afeta os vasos da retina
- Edema Macular Diabético (EMD) — acúmulo de líquido na mácula causado pelo diabetes
- Oclusão de Veia da Retina — bloqueio de veias retinianas que causa edema e hemorragias
- Neovascularização Coroidal — crescimento de vasos anormais sob a retina em diversas condições
Como funciona o procedimento?
O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial, com duração de aproximadamente 15 a 20 minutos. O paciente recebe anestesia tópica com colírio anestésico, e o olho é preparado com antisséptico (iodo-povidona) para prevenir infecções. O médico aplica o medicamento com uma agulha fina na parte branca do olho (esclera), a cerca de 3,5 a 4 mm do limbo corneano.
Embora o procedimento possa causar desconforto leve, não é doloroso. Após a injeção, o paciente pode sentir uma leve pressão no olho e visão temporariamente turva, que se resolve em poucas horas. O retorno às atividades normais é possível no dia seguinte.
Com que frequência as injeções são necessárias?
A frequência varia conforme a doença e a resposta ao tratamento. Os protocolos mais comuns são:
- Fase de ataque: 3 injeções mensais consecutivas para saturar o tecido com o medicamento
- Fase de manutenção: injeções a cada 4 a 12 semanas, dependendo da atividade da doença
- Protocolo treat-and-extend: o intervalo entre injeções é gradualmente aumentado conforme a doença é controlada
O acompanhamento com OCT (tomografia de coerência óptica) é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e ajustar o protocolo.
Quais medicamentos anti-VEGF são utilizados?
No Brasil, os principais medicamentos aprovados são:
- Ranibizumabe (Lucentis®) — fragmento de anticorpo desenvolvido especificamente para uso ocular
- Aflibercepte (Eylea®) — proteína de fusão com alta afinidade pelo VEGF, com intervalo de aplicação mais longo
- Bevacizumabe (Avastin®) — anticorpo monoclonal usado off-label, com custo reduzido
- Faricimabe (Vabysmo®) — medicamento de nova geração que bloqueia dois alvos (VEGF e Ang-2)
O convênio cobre a injeção anti-VEGF?
Sim. A ANS obriga os planos de saúde a cobrirem a injeção intravítrea anti-VEGF para as indicações aprovadas, incluindo DMRI úmida, edema macular diabético e oclusão de veia da retina. A cobertura inclui o procedimento e o medicamento (ranibizumabe e aflibercepte estão no rol obrigatório).
Na Drudi e Almeida, aceitamos Bradesco Saúde, Amil, Unimed, Prevent Senior, Mediservice, Pró-PM, Ameplam e outros. Entre em contato para verificar a cobertura do seu plano.
Qual o custo da injeção anti-VEGF particular?
O custo varia conforme o medicamento utilizado. O bevacizumabe (Avastin®) tem custo mais acessível, enquanto o ranibizumabe e o aflibercepte têm custo mais elevado. O procedimento em si (honorários médicos e materiais) tem custo separado do medicamento. Consulte nossa equipe para informações atualizadas de preços.
Quais são os riscos e efeitos colaterais?
A injeção intravítrea é um procedimento seguro quando realizado por especialista em ambiente adequado. Os riscos existem, mas são raros:
- Endoftalmite (infecção intraocular) — risco de 0,01 a 0,05% por injeção
- Descolamento de retina — risco muito baixo (<0,01%)
- Hemorragia vítrea — possível em casos com neovascularização ativa
- Aumento transitório da pressão intraocular — comum nas primeiras horas, geralmente sem consequências
Conclusão
A injeção intravítrea anti-VEGF revolucionou o tratamento das doenças da retina, transformando condições que antes levavam inevitavelmente à cegueira em doenças controláveis. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para preservar a visão.
Se você ou um familiar apresenta sintomas como visão distorcida, mancha escura no centro da visão ou perda súbita de visão, agende uma avaliação urgente com nosso Instituto da Retina.